Em um Hackathon, o erro mais comum e fatal é começar a codificar antes de entender o “porquê”. A pressão do cronômetro cria uma ilusão de progresso que, na maioria das vezes, termina em uma solução tecnicamente impecável para um problema que ninguém tem ou que não é a prioridade do setor. Aprender profundamente sobre o desafio não é perda de tempo; é o único caminho para garantir que o projeto final seja relevante, funcional e competitivo diante de uma banca de jurados exigente.
Neste post, Hector Felipe Cabral, o especialista em Transformação Digital e facilitador de Ideathons e Hackathons, fala sobre a importância de buscar informações e aprender mais sobre o problema antes de começar a desenvolver uma solução.
Precisamos aprender mais sobre o PROBLEMA!
O primeiro passo para dominar o tema é o mergulho na dor de quem realmente a sente. Esqueça o PDF do briefing por um momento e tente encontrar, ou simular, o contato com o usuário final. Entrevistas rápidas, mesmo que informais com mentores ou especialistas disponíveis no evento, revelam nuances que nenhum documento corporativo consegue capturar. É nessa conversa que você descobre se o obstáculo é uma falha real de processo, uma barreira tecnológica ou apenas uma resistência cultural das pessoas envolvidas.
Para não ficar apenas na superfície, utilize técnicas de análise de causa raiz, como os “5 Porquês”. Frequentemente, o problema apresentado pela organização do evento é apenas um sintoma de algo muito maior e mais estrutural. Identificar a origem real da dor permite que a equipe foque seus esforços em um ponto de alavancagem específico, onde a solução terá o maior impacto possível com o menor esforço tecnológico necessário, otimizando o tempo escasso da maratona.
Ninguém precisa reinventar a roda em 48 horas, e pesquisar como o mercado lida com desafios semelhantes é fundamental para ganhar maturidade. O objetivo aqui não é copiar, mas entender por que soluções anteriores falharam ou onde estão as lacunas das ferramentas atuais. O benchmarking rápido ajuda a evitar caminhos que já se provaram ineficientes, permitindo que o seu time proponha algo que seja, de fato, incremental ou disruptivo dentro daquele contexto.
Um problema nunca existe no vácuo; ele afeta diferentes atores de formas distintas. Mapear os envolvidos desde o funcionário que opera a ponta até o gestor que detém o orçamento, é crucial para validar o modelo de negócio da sua solução. Uma ideia que resolve o problema do usuário, mas cria um custo operacional insuportável ou ignora as métricas de sucesso de quem decide a compra, dificilmente será a vencedora do Hackathon.
Por fim, utilize os dados disponíveis para validar suas percepções qualitativas. Se o evento disponibilizou informações ou APIs, explore-os em busca de padrões, frequências e volumes. A intuição é uma ótima bússola inicial, mas são os números que dão escala ao problema e convencem os jurados de que a sua solução é viável economicamente. Demonstrar que a dor atinge uma porcentagem específica do público-alvo transforma um projeto “interessante” em uma oportunidade de negócio fundamentada.
Checklist para Entender o Problema
01) Leia o briefing atentamente e destaque todas as restrições técnicas e de negócio;
02) Realize pelo menos três entrevistas rápidas (5-10 min) com mentores ou especialistas;
03) Desenhe o fluxo atual do processo para localizar o gargalo principal;
04) Identifique pelo menos dois concorrentes ou soluções alternativas que já existem;
05) Valide a sua “tese do problema” com um mentor antes de escrever a primeira linha de código.
Dicas Práticas
Aplique a mentalidade de “sair do prédio” e busque validar suas suposições com pessoas reais fora da sua mesa; limite o tempo de pesquisa teórica a no máximo 15% da duração total do evento para não travar a execução; utilize ferramentas visuais como o Lean Canvas ou mapas de empatia para alinhar o entendimento de todos os membros da equipe; e, acima de tudo, não se apaixone pela sua ideia inicial, mas sim pela resolução do problema real apresentado.
Dominar o problema é o que diferencia os vencedores dos participantes apenas esforçados. No ambiente caótico de uma maratona de inovação, a clareza sobre o que está sendo resolvido funciona como um filtro para todas as decisões técnicas e de design que virão a seguir. Se o seu time entende a dor melhor que qualquer outro concorrente, a sua chance de entregar valor real e conquistar a banca é drasticamente maior.







